Maria, Mãe do povo fiel

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Maria, Mãe do povo fiel

Ao contemplarmos Maria como mãe do povo fiel, acolhemos com gratidão a Nota doutrinal Mater Populi Fidelis, recentemente publicada pela Igreja, que nos ajuda a purificar, aprofundar e fortalecer a nossa devoção mariana. Não se trata de diminuir o amor do povo à Mãe de Deus, mas de iluminar este amor à luz do Evangelho, para que a nossa piedade seja cada vez mais católica, cristocêntrica e plenamente eclesial.

Desde o início, a Nota nos recorda algo precioso: a verdadeira teologia mariana nasce da experiência da graça. Se a graça quer tornar-nos semelhantes a Cristo, então Maria é a expressão mais perfeita dessa ação transformadora de Deus na humanidade. Nela vemos o que a graça pode fazer, e por isso a Igreja a contempla com afeto e admiração como mãe do povo fiel.

Maria no coração do mistério de Cristo

Quando olhamos para as Escrituras, percebemos que a presença de Maria nunca é isolada. Ela está sempre unida ao mistério de Cristo e ao caminho da Igreja. Em Caná, como “Mulher” (Jo 2,4), ela apresenta as necessidades dos esposos e indica o único caminho seguro: “Fazei o que Ele vos disser”. No Calvário, novamente chamada “Mulher”, ela é-nos dada como Mãe, quando o discípulo amado a recebe “em sua casa” na fé (cf. Jo 19,25-27). Ali se manifesta, de modo supremo, a sua maternidade espiritual: Maria torna-se mãe do povo fiel no próprio coração da Páscoa de Jesus.

A Nota recorda ainda a mulher do Apocalipse (Ap 12), que é ao mesmo tempo mãe do Messias e mãe da sua descendência. Assim, Maria aparece como aquela que, unida intimamente ao Filho, participa de modo singular na obra da Salvação, sempre como criatura plenamente dependente de Cristo e do seu Espírito.

Único Redentor, única mediação

Um ponto central do documento é a clareza cristológica: só Cristo é o Redentor e só Ele é o Mediador entre Deus e os homens (cf. 1Tm 2,5; At 4,12). Isso significa que nenhuma criatura, nem mesmo a Santíssima Virgem, pode ser colocada no mesmo nível da obra redentora do Filho de Deus encarnado. Ele, com o seu sacrifício, ofereceu uma satisfação superabundante e infinita, que não necessita de complemento.

Por isso, a Nota explica por que o uso do título “Corredentora” é considerado inoportuno: não porque Maria não coopere na obra da Salvação, mas porque a palavra pode obscurecer a unicidade da mediação de Cristo e criar confusões na fé do povo. Algo semelhante acontece com certos modos de utilizar o título “Medianeira”, quando se corre o risco de imaginar Maria como uma espécie de “fonte paralela” de graça ou como etapa obrigatóriaentre Cristo e nós.

A Igreja quer proteger o núcleo do Evangelho: toda graça vem de Deus, chega até nós através da humanidade de Cristo e é aplicada pelo Espírito Santo. Como recorda o Catecismo, a graça santificante é antes de tudo o dom do próprio Deus, que vem habitar em nós com a sua vida divina. Nenhuma criatura pode ocupar esse lugar.

Mediação participada e maternidade espiritual

Ao mesmo tempo, a Nota sublinha que a mediação de Cristo é “inclusiva”: Ele, pela sua força gloriosa, torna-nos cooperadores na sua obra de salvação. Em Cristo, todos podemos ser, de algum modo, mediadores uns para os outros, na medida em que ajudamos, rezamos, anunciamos, consolamos. É uma “mediação participada”, sempre subordinada e dependente da única mediação do Senhor.

Neste horizonte, compreendemos melhor Maria como mãe do povo fiel. Ela é a primeira dos redimidos, a cheia de graça, a totalmente disponível à ação de Deus. Por ser a Mãe de Jesus, cabeça do Corpo Místico, ela é também Mãe dos membros, isto é, de todos nós. A sua cooperação na ordem da graça é materna: não sacerdotal, não paralela a Cristo, mas cheia de ternura, proximidade e intercessão.

A Nota insiste: Maria não é um “para-raios” contra a justiça de Deus, como se o Pai fosse pouco misericordioso e precisasse ser “amolecido” pela Mãe. Pelo contrário, é o próprio Deus que quis dar um rosto materno à sua misericórdia. Quando recorremos à Mãe, é o próprio Cristo que nos conduz a Ela, e Ela, com simplicidade, nos conduz de volta a Ele.

Maria e a graça em nós

Um ponto muito belo do texto é a explicação sobre a graça. Só Deus pode entrar no mais profundo da alma, só Ele pode justificar, santificar e fazer habitar em nós a Trindade. Nem Maria, nem os santos, nem os anjos podem substituir essa ação íntima e direta de Deus. Eles podem interceder, dispor o nosso coração, conduzir-nos à fé, mas a transformação interior é sempre obra do Senhor.

Assim, quando chamamos Maria de mãe da graça, entendemos a sua missão de forma dispositiva: ela nos ajuda a abrir o coração, a acolher a Palavra, a confiar mais, a abandonar os medos e resistências. Em Caná, ela apenas diz: “Não têm vinho” e depois “Fazei o que Ele vos disser”. Ela não decide o milagre, não determina a hora, não controla a graça; ela apenas suplica e prepara os corações para obedecer a Jesus.

A Nota explica ainda que Maria pode interceder por nós para que recebamos “graças atuais”, isto é, inspirações, luzes, consolações, ajudas concretas que nos encaminham para a conversão e o crescimento espiritual. Neste sentido, a mãe do povo fiel realmente acompanha a nossa vida diária, com sinais discretos da sua presença.

A devoção mariana como tesouro do povo

Um dos aspectos mais comoventes do documento é o amor com que ele fala da religiosidade popular mariana. O povo simples encontra no rosto de Maria a ternura e o amor de Deus, reconhece nela uma de suas, que conhece a pobreza, a migração, a dor, a perseguição, a cruz. As peregrinações, as romarias, os santuários, as imagens com traços de cada cultura são vistas como verdadeiros caminhos de evangelização.

Nós, como membros da Igreja, somos convidados a valorizar este tesouro. Em vez de desprezar a piedade popular, somos chamados a acompanhá-la e purificá-la, para que se torne cada vez mais evangélica e eclesial. Quando o povo se coloca diante de uma imagem de Nossa Senhora, derramando lágrimas, apresentando dores e esperanças, ali se esconde uma verdadeira experiência espiritual: é o coração que renuncia à autossuficiência e reconhece que precisa de Deus.

Maria, mãe do povo fiel, caminha com os pobres, com os que sofrem, com os que lutam. Ela nos ajuda a ler o Evangelho com olhos simples, a ver no rosto de Cristo o Bom Pastor que busca a ovelha perdida, o Pai que corre ao encontro do filho pródigo, o Senhor que se inclina para levantar os caídos.

Viver hoje com a mãe do povo fiel

Diante de tudo isso, perguntamos: como viver, hoje, a nossa relação com a mãe do povo fiel?

Em primeiro lugar, renovando a nossa confiança filial. Podemos entregar-lhe a nossa vida, as nossas famílias, a paróquia, a comunidade. Mas, ao fazê-lo, não a separamos de Cristo; pelo contrário, pedimos que ela nos faça mais dóceis ao Evangelho, mais abertos à graça, mais fiéis à Igreja.

Em segundo lugar, purificando a linguagem. Evitamos títulos e expressões que possam obscurecer a única mediação de Cristo. Não precisamos de fórmulas exageradas para amar mais Maria; ao contrário, quanto mais a vemos como serva, discípula e mãe, mais a nossa devoção se torna verdadeira. Quando a invocamos como mãe do povo fiel, reconhecemos ao mesmo tempo a centralidade de Cristo e a sua presença materna no meio do povo de Deus.

Em terceiro lugar, imitando o seu estilo. Maria não é apenas objeto de devoção, mas modelo de vida. Com ela queremos aprender a escutar a Palavra, a guardar os acontecimentos no coração, a caminhar com os pequenos, a servir com discrição, a permanecer de pé junto à cruz dos irmãos.

Por fim, pedimos a graça de que a nossa piedade mariana seja sempre caminho para um encontro mais profundo com Jesus. Que cada terço rezado, cada visita a um santuário, cada imagem diante da qual nos ajoelhamos, nos conduza a um amor mais concreto à Eucaristia, à Palavra de Deus e aos pobres. Assim, Maria continuará sendo, no coração da Igreja, a mãe do povo fiel e a primeira discípula, que nos ensina a caminhar rumo ao Céu.

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