A Princesa e a Rainha

Foto de Ronaldo Santos
Ronaldo Santos
Ronaldo Santos é um leigo casado com Glaucia Santos e pai da Ana Luisa. Formado em Teologia Católica pela Unibratep, depois de sobreviver a um infarto agudo do miocárdio, resolveu empreender projetos digitais em honra à Virgem Maria.
postCapa-min

A Devoção da Princesa

A história da imagem de Nossa Senhora Aparecida está profundamente entrelaçada à própria história do Brasil. Quando contemplamos essa imagem bendita, não estamos apenas diante de um símbolo religioso, mas de um testemunho vivo da presença de Maria no coração do nosso povo. O semblante sereno, o manto azul, o tom escuro da pele — tudo nela fala de fé, de esperança e de um amor maternal que acolhe e consola. Dentro desse contexto tão rico de significados, a figura da Princesa Isabel ocupa um papel de extraordinária importância, embora muitas vezes ignorado.

A Rainha e Padroeira do Brasil

Mulher de fé e de coração sensível, Isabel do Brasil foi movida por uma confiança sincera na intercessão da Mãe de Deus. Essa fé não permaneceu apenas no plano espiritual — transformou-se em ação concreta, em gesto histórico, em símbolo de libertação e justiça. Contudo, como testemunhamos tantas vezes, há uma tendência moderna — especialmente em certos círculos acadêmicos — de silenciar ou distorcer verdades que não se enquadram em narrativas ideológicas. E é justamente isso que acontece com a memória da Princesa Isabel.

No dia 6 de novembro de 1887, a herdeira do trono brasileiro dirigiu-se ao Santuário de Aparecida, em um momento de grande aflição pessoal e política. Casada há muitos anos e sem conseguir gerar filhos, Isabel via ameaçada a continuidade da monarquia, e com isso, a estabilidade do país. Diante da imagem de Nossa Senhora Aparecida, fez uma promessa: pediu a graça de ser mãe.

O que se seguiu é, para nós, mais do que uma coincidência — é um sinal de fé recompensada. Em apenas quatro anos, nasceram seus três filhos: Dom Antônio, Dom Felipe e Dom José. Em gratidão, a Princesa Isabel mandou confeccionar um manto ricamente adornado para a Virgem Aparecida, utilizando as próprias joias que possuía. Um gesto de desprendimento e de amor que unia o trono terreno ao trono celestial.

Mas ela não parou por aí. Inspirada pelo costume real de cada soberano possuir uma coroa própria, Isabel mandou criar uma réplica miniaturizada da coroa que seria a sua, caso viesse a reinar, e a ofertou à Senhora Aparecida. Esse ato profético antecipou, de certo modo, o que viria a seguir: a abdicação de qualquer poder pessoal em favor da realeza espiritual de Maria.

No ano seguinte, em 1888, Isabel assinou a Lei Áurea, abolindo a escravidão no Brasil — um dos gestos mais nobres e definitivos da nossa história. Por essa ação, o Papa Leão XIII concedeu-lhe a Rosa de Ouro, uma distinção reservada apenas a monarcas que se destacam por obras de justiça e caridade. E, novamente, a Princesa dirigiu-se a Aparecida, levando consigo a Rosa de Ouro e a pequena coroa que havia mandado fazer. Ambas foram entregues à Mãe Santíssima, em sinal de reconhecimento de que todo poder e toda glória pertencem, em última instância, a Deus.

A Princesa, a Rosa de Ouro e a pequena coroa

Ali, diante da imagem da Virgem, Isabel deixou também um bilhete comovente, guardado até hoje nos arquivos do Santuário. Nele, ela declara:

“Eu, diante de vós, sou uma princesa da terra.
Me curvo, pois és a Rainha dos Céus.
E te dou tão pobre presente — uma coroa que seria igual à minha.
Se eu não me sentar no trono do Brasil, rogo que Vós vos senteis nele por mim e governeis perpetuamente o Brasil.”

E, de fato, anos depois, no dia 16 de julho de 1904, por meio de um decreto pontifício, o Papa Pio X proclamou Nossa Senhora Aparecida como “Rainha e Padroeira do Brasil” — um título que sela espiritualmente esse gesto de entrega e consagração.

Entretanto, é lamentável perceber como, nos últimos tempos, muitos que se intitulam “historiadores” preferem ignorar esse legado. Há uma espécie de militância travestida de ciência, onde a ideologia se sobrepõe aos fatos. Negar a importância da Princesa Isabel é negar uma verdade documentada e, portanto, inegável. E o papel do historiador não é moldar a história às suas convicções pessoais, mas transmitir o que realmente aconteceu.

Falar a verdade sobre a Princesa Isabel não é defender a monarquia, tampouco atacar alguém. É reconhecer que a fé católica e a coragem moral foram os motores que conduziram uma mulher de oração a libertar milhões de seres humanos. É dar crédito a quem agiu movida pelo Evangelho — pela consciência e pela compaixão.

Enquanto a imagem de Nossa Senhora Aparecida continuar sendo o coração espiritual do Brasil, acredito que nenhuma ideologia contrária à fé e à família triunfará. O trono do Brasil foi entregue à Rainha dos Céus — e cabe a nós, católicos, hoje, oferecer a ela também o trono dos nossos corações.

Você já deve ter percebido, mas caso não tenha, as imagens utilizadas neste artigo foram restauradas ou criadas com o auxílio da inteligência artificial, uma tecnologia que, quando usada com propósito e discernimento, pode ajudar a resgatar e preservar a nossa memória religiosa e cultural. Se esse tema desperta o seu interesse, convidamos você a conhecer o curso IA para Performar, disponível na plataforma Udemy. Criado pela Arcádia Sistemas, empresa que apoia o projeto Devotos de Maria — hospedando este site e fornecendo todas as soluções tecnológicas que o sustentam. O curso ensina como usar a inteligência artificial de modo prático e criativo no dia a dia, para aprimorar projetos, ampliar horizontes e desenvolver novas habilidades. É uma oportunidade inspiradora para quem deseja compreender e aplicar a IA de forma consciente e produtiva. E o desconto oferecido para quem adquirir o curso por meio deste link, é de quase 70%.

Para quem deseja conhecer mais sobre essa bela história de fé e patriotismo, vale visitar o Santuário Nacional de Aparecida, onde os registros e objetos doados pela Princesa Isabel permanecem preservados como testemunho de amor e devoção.

Chegando ao final do artigo, fica o convite para que você leia e deixe os seus comentários em outros artigos publicados aqui no Blog Devotos de Maria, pois assim, além de nos dar o seu feedback, você incentiva, a mim e aos outros autores, a publicar novos conteúdos. E se você ainda não o fez, por favor, inscreva-se no nosso canal no YouTube e assine nossa newsletter, a fim de receber notificações automáticas da publicação de novos artigos, áudios ou vídeos.

5 1 voto
Classificação
Inscrever-se
Notificar de
guest
0 Comentários
mais antigos
mais recentes Mais votado
Feedbacks embutidos
Ver todos os comentários

Últimos artigos postados:

Informação

Maria, Mãe do povo fiel

Contemplamos Maria, mãe do povo fiel, à luz da “Mater Populi Fidelis”, aprofundando sua maternidade espiritual e a mediação redentora de Cristo.

Conhecimento

A Princesa e a Rainha

Relembramos o vínculo entre Nossa Senhora Aparecida e a Princesa Isabel, exaltando sua fé e destacando a sua grande importância histórica.