A doutrina do “arrebatamento” é uma crença difundida em algumas denominações protestantes, especialmente entre evangélicos e fundamentalistas, que propõe que, antes de um período de tribulação e do fim dos tempos, os fiéis serão subitamente levados da Terra para se encontrarem com Cristo nos céus. Essa ideia ganhou popularidade a partir do século XIX, com figuras como John Nelson Darby, e foi amplamente disseminada por obras como a Bíblia de Estudo Scofield e a série Left Behind. No entanto, essa interpretação não encontra respaldo na doutrina católica e carece de fundamento sólido nas Escrituras.
Um dos principais trechos bíblicos utilizados para justificar o arrebatamento é 1 Tessalonicenses 4,15-17, onde São Paulo afirma que “nós, os que vivemos, os sobreviventes, seremos arrebatados juntamente com eles sobre as nuvens, ao encontro de Cristo, nos ares“. Contudo, uma análise contextual revela que São Paulo está se referindo à segunda vinda de Cristo no fim dos tempos, não a um evento prévio de retirada dos fiéis antes da tribulação. A Igreja Católica interpreta essa passagem como uma descrição da ressurreição final e do encontro dos justos com Cristo glorioso, coincidindo com o Juízo Final.
Outra passagem frequentemente citada é a de Mateus 24,40-41, onde Jesus diz: “Então, de dois homens que estiverem no campo, um será levado e o outro será deixado“. Os proponentes do arrebatamento interpretam isso como a retirada dos fiéis, deixando os ímpios para trás. No entanto, no contexto do dilúvio nos tempos de Noé, mencionado anteriormente no mesmo capítulo, foram os ímpios que foram “levados” pelas águas, enquanto os justos (Noé e sua família) permaneceram. Portanto, essa passagem pode ser entendida como uma advertência de que, no fim dos tempos, os ímpios serão removidos para o julgamento, enquanto os justos permanecerão para desfrutar da plenitude do Reino de Deus.
O católico, é claro, não vê o arrebatamento como o protestante!
A doutrina católica ensina que todos os fiéis enfrentarão tribulações antes do fim dos tempos, seguindo o exemplo de Cristo, que sofreu antes de entrar na glória. O Catecismo da Igreja Católica afirma que a Igreja deve passar por uma prova final que abalará a fé de muitos crentes (CIC 675). Lá está escrito: “Antes do advento de Cristo, a Igreja deve passar por uma prova final que abalará a fé de muitos crentes. A perseguição que acompanha sua peregrinação na terra desvendará o ‘mistério de iniquidade' sob a forma de uma impostura religiosa que oferece aos homens uma solução aparente para seus problemas, à custa da apostasia da verdade.“. Portanto, não há ensinamento oficial que apoie a ideia de um arrebatamento pré-tribulacional que isentaria os fiéis do sofrimento!
Além disso, a crença no arrebatamento pode levar a uma escatologia escapista, onde os fiéis aguardam ser retirados do mundo em vez de se engajarem na missão de evangelização e transformação da sociedade. A visão católica enfatiza a importância de viver a fé de maneira ativa, testemunhando o Evangelho e trabalhando pelo bem comum até a segunda vinda de Cristo.
É crucial que os católicos estejam atentos à perigosa mistura de conceitos que pode ocorrer ao adotar a ideia do arrebatamento, uma visão alheia à tradição da Igreja. Quando se permite que essas ideias sejam incorporadas de forma sutil, abre-se espaço para uma sedução doutrinária que, muitas vezes, conduz ao protestantismo e ao afastamento dos ensinamentos da Santa Igreja Católica. É importante lembrar que a Bíblia católica contém livros que foram excluídos pelas comunidades protestantes, o que cria lacunas significativas de conhecimento. Essa ausência contribui para interpretações isoladas e descontextualizadas, como a do arrebatamento, que carecem de base sólida e ignoram a rica tradição interpretativa da Igreja. Os católicos devem buscar compreender as Escrituras à luz do Magistério, que assegura um entendimento pleno e verdadeiro, preservando a coerência da fé e a integridade dos ensinamentos cristãos.
É importante notar que a interpretação literalista e isolada de certas passagens bíblicas, sem considerar o contexto histórico, literário e a tradição da Igreja, pode levar a conclusões equivocadas. A Igreja Católica, guiada pelo Magistério, oferece uma interpretação coerente e consistente das Escrituras, evitando desvios doutrinários como a crença no arrebatamento.
Em resumo, a doutrina do arrebatamento, tal como proposta por algumas denominações protestantes, não encontra respaldo na teologia católica. As Escrituras, quando interpretadas no contexto da tradição e do ensinamento da Igreja, apontam para uma segunda vinda de Cristo onde todos serão julgados, sem uma retirada prévia dos fiéis do mundo. Os católicos são chamados a perseverar na fé, mesmo diante das tribulações, confiando na promessa de Cristo de estar com sua Igreja até o fim dos tempos. Se você desejar aprofundar o tema, recomendamos o artigo “Católicos, não haverá arrebatamento!”, do Padre Paulo Ricardo, uma referência segura em fidelidade ao Magistério da Igreja e ao ensino autêntico das Escrituras.
Chegando ao final do artigo, fica o convite para que você leia e deixe os seus comentários em outros artigos publicados aqui no Blog Devotos de Maria, pois assim, além de nos dar o seu feedback, você incentiva, a mim e aos outros autores, a publicar novos conteúdos. E se você ainda não o fez, por favor, inscreva-se no nosso canal no YouTube e assine nossa newsletter, a fim de receber notificações automáticas da publicação de novos artigos, áudios ou vídeos.

